sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Pular


Pular! Pular incrivelmente alto!
Cair no asfalto, então, ser aplaudido
Produzir sismo, ou simples alarido
Tivera amor?
- Amar sem dar um salto?

Cair sem pretender nenhum ressalto.
Avante, sem sentir ter-se caído
Cair, sem nem mesmo ter-se instruído
E quando em dor?
- Ser-me dor a ser falto...

Pular, saltar, direto para a vida
se ter enternecido na ribalta
Por que rapaz!?
- É o amor de mim, peralta...

E mesmo se cair, em meio ao povo
Morrer de rir, então saltar de novo
Por que se faz?
- Pular é divertido!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ir


Ir para se onde for, sem mesmo olhar
e quando olhar, saber por que está indo
sorrindo, sem nem mesmo se lembrar
andando, até sangrar, se haver sumindo...

Ir, e singrar sangrando sal ao mar
e ver todo seu sangue se extinguindo
espargindo nas Ondas do Amar
e se expiar da vida em se esvaindo...

Ir, e se aproveitar toda paisagem
se então lembrar-se da ausência de cor:
aquarelar avante a sua viagem...

S’inda vier à mente toda dor
sentir a vida branda agir na aragem
e ter-se ido, enfim, de encontro ao amor!...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Reunidos e eqüidistantes


É na lua
que sinto o toque
da tua existência.

Reflete-me a concomitância.
E por que não, tua essência?

Alumio-me dum sonho, contigo!
Faço-o engrenagem do porvir.
Tão tátil como o toque airoso
do seu ser em meu espírito.

Faço da alma uma pelugem de luz
que se emaranha por entre a tua.
Os céus inflamam de inveja desta criação:
haver-se-á luz!...
Como jamais houve!

Faço ter-me amoriscado
sem ter mesmo enamorado!
E indo, vou--
“- Vou ter contigo!”
Diz-me a lua.
Codificando sua rutilante presença
em amor lídimo.

Volto a fitar a lua,
sobre a pedra que sustenta meu corpo.
Volto a finar à lua,
o insólito voo de minh’alma.
E cá, presciente e sentado,
inda reflito nua
tu’alma
[nossa alma...
A reluzir, tautócrona.

sábado, 15 de agosto de 2009

Meu Sonho Perfeito


Sonhar! Sonhar muitíssimo perfeito!
E debruçar por sobre as suas pintas,
Meu Sonho... pintado co’a melhor tinta!
Sonhar com suas luzes no meu peito!

Sonhar e atar, apaixonadamente,
nos ombros apolínicos, que dentre
as perfeições das linhas do seu ventre
macio, repouso perdidamente...

Sonhar!... e como nunca sonhei antes!
Fazer do sonho de pureza infante
maduro e resistente como aço!

Ah! Sonhar! ...e acordar sem acordar!
E quando o mundo em volta nos chamar,
sonhar de novo em tê-la nos meus braços!...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sinfonia


Arpejam-se.
As notas luziluzem no interior das caixas.
Num instante; um silêncio puro.

O ouvir é tanso;
o sentir é tenso;
a arte é mansa,
como são mansas as notas
que se compõem na aragem:

O dó, é tão diminuto como a coragem;
o ré, avança esganiçado
esperando o sol fazer-se acorde;
e, aos ouvidos, o acordo canta,
os lábios mordem-se;
como se mordem os elogios que se encantam.

As sobejas notas outras
se guardam em segredo
como se lhes guardam as bocas.

E, quando libertas, se anseiam
e se contemplam numa plena melodia:
Nossa conversa; o bem-sonante
e mavioso acorde – concomitante –
duma bela sinfonia.

Preenchendo-me


E o vazio me impregnava
no transpirar
de cada eco
de minha escada...

E se bramava
pé ante pé;
a Solidão...

E como nos sonhos
cada passo
era desandar
à Besta, o abraço;

Correr, a acelerava.
E se parasse
ser-me-ia engolida...

É então que me acordo e percebo:

Nasce de mim
como se nascem anjos,
o alvedrio de tornar dum pesadelo
mais um ser
a preencher;
todo meu Sonho!...

Como meu dia-a-dia,
meu hoje, minha vida:
Ver na poesia
meu poeta;
minha própria companhia...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Aljôfar


Visto-te! Ó Musa!
Bordo meu fraque de versos
no melhor sonho; (tecido...)

E o paletó
é o sol maior
que plana do soneto
e se embruma em pequenos lumens..

Ó! Musa!
Desvisto-te-me à lira!
Que infindo deslumbre!

Tento encontrar
teu aljôfar
num Oceano...

Seria como achar
na imensidade de tu’alma,
um mim, timbrado...

É quando em arroubos,
meus olhos poéticos marejam.
Despeço-me do melhor floco de orvalho
que goteja no Oceano...

E no meio do imane salobro
sinto o átimo doce
a molhar toda minha roupa...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Agradecimento


Ao que parece, venho sido benquisto pelo bel mundo literário. Fito leitores de todo canto entranhando-se às poesias aqui postadas. Decerto que titubeiam nalguns versos, quando estão a bailá-los com olhos céleres, porém com uma dose de vigor e profundidade, não hesitarão terem-se tateado cada verso aqui composto.

Há algum tempo, escrevi "É Quando Fecho Os Olhos", uma prosa poética que aclararia a sensação que me faz escrever. Verazmente.
Esta sensação - um ouvir incessante - não tem forma, nem cor, nem sabor, odor ou som. Não está a capricho de quaisquer sensações cônscias que me pode ser descrita; e ainda está! Entretanto, é insciente, como um fremir informe que retumba até que eu estaque a descrever. Não a ponho em negação e, talvez, não a represente perfeitamente.

A propósito, como se consegue ouvir e descrever um silêncio folgaz? Ou um não-manifesto insípido, ainda que tão apetitoso?
Tenta-se, e tenta-se. É a arte do hiato interior que se representa! E é o que apetece!

Portanto, peço desculpas pela infixidez dos versos compostos e, enternecido, venho agradecer a todos os leitores que por aqui passam e femençam 2 minutos de seu encarecido tempo para sentir quaisquer poemas aqui postados.

E que fique na mensagem supracitada, ao menos, o singelo sinal do meu prazente carinho por todos os leitores. Afinal, o que seria do vazio, não fosse sua busca pela completude!?
Assim, lido, me completo.
Obrigado.

Osvaldo Fernandes

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A Cimitarra



Suplicando ser investida:
avançar, pura e cortante
e talhar, insanamente
a linha berrante
duma carne incandescente,
de, metal, desprotegida;

Ceifar-lhe em densos sulcos
e se lhe haver embebida
do sepulcro;
Regozijar o exangue ardente...
e espraiar das vísceras pampas,
o sangue, per se tanto encovar...

E na cor que se renovar;
brilhar a champa,
em carmins raios de sol!
Farfalhar, tornando escol
quem em anos tantos, lhe empunha
e com esmero lhe acabrunha...

Duelar com a fronte,
doutra luzida em guarda-mão;
ser brilhosa, soltar-se em clarão
quando aos trapes e fagulhas!
Despontada ao horizonte,
refletir-se no pombo, que fita e arrulha
um purpúreo pranto de revolta;

Se embotar, posta de volta
relembrar, já embainhada
que investida puramente,
perfurando, faiscando n’outra espada;
viu-se em carne desalmada,
viu-se brilho de rubim!...
encovilando e, foscamente,
maculando seu talim!...

domingo, 9 de agosto de 2009

À poetisa dos olhos verdes


Ó! Poetisa, amante da poesia!...
a nós, esplende os olhos e recamas
este sarau, assim como qual amas;
inspira, em versejar; belezaria...

Não há poeta que, sequer, não faça:
deixar-se inspirar pela tua presença,
deixar-se-lhe imbuir todo em querença;
não dedicar um verso à tua Graça!

Como se estrelas fossem esmeraldas
são teus olhos, assim, tão verdejantes
que Deus, p'ra todo Universo, agrinalda...

Medito aos céus; enlevado ao Universo!
Um cometa irrompe a verde calda;
é a tua beleza que me balda em versos...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ser Poeta


Ser poeta é descrever
o indescritível
é saber sem mesmo
saber!
É dedilhar o esmo!

Ser poeta, é sentir;
despir-se dos sonhos
deixando nua a alma...

Ser poeta é engrinaldar a calma!

E de todo sabor desconhecido
que se não mostra nem salgado,
azedo ou amargo;
saborear...

Como algodões-doces
que gusta à língua
dos olhos!...

Como atufar íngua
que entorpece
e explode à folha
que, com tinta, tolho,
toda alma...

Ah! Se poeta não fosse!
Sobrar-me-ia à míngua...

Vida: O salto pra morte



Invisto à gravidade, pelo prédio
e a cada andar que vejo, me é tão rápido
não dá tempo pra que algo seja sápido
e isto me seca à boca um voraz tédio...

Tombo em profundidade para a morte
Se ao me empoar no chão, terei pensado
se os braços, adejei, determinado?
Ou desejei que voar fosse sorte?

Mas quem, de fato, consegue voar?
Implume? Como não poder cair?
Se à vida não conseguimos fugir;
se o tombo, independente, haver-se-á?

E a vida arquitetada no edifício
o qual me salto, com asas de chumbo
na certeza total que, ao ar, sucumbo
mas não mi’a energia para o ofício...

que é viver para a morte, assim, saltante
sentindo o vento forte como aragem
admirando todas paisagens
e assim fazer meu fim, bem mais distante

Por se saber mais sápida mi’a vida!
E por tocar, o vento, no meu peito
esta energia, eu sinto, porque aceito
a morte, a me esperar; não mais temida...

E o tempo já não passa como outrora!
É tudo tão mais belo e colorido
em cada andar que fito, enternecido
reflete o etéreo lume de mi’a aurora...

Que dura o tempo que eu chegar ao chão
e enquanto não chegar, vou poetando
cada segundo, até que, em me empoando;
morrer não afetará meu coração...

sábado, 1 de agosto de 2009

Solidão


Como filhote de olhos rutilantes
que afago com amor e lhes desejo
o lume que me alumbra (de sobejo)
é a solitude que se faz atuante

Viceja em minhas eras, sem limites
meu vácuo quebrantado em amiúde
transforma parco, sem mais atitude
meu ser, que em solitude, se admite

Filhote meu que ladra ineloquente
e se és tão racional quanto as carícias
- desvelo... mais parece excrementícia! -
que comporias o ânimo abducente?

Que me gatunarias meu furor
deixando-me impotente em todas eras?
A sarna do amor, também alteras
em vil vazio, a coçar cabal dor?

Mil vazios de completa pelagem
é assim que a solitude se alumia
e faz varrer, de mim, como um cão guia
meu eu, em me tirando a alunissagem...

E não mais brilho em mim; nem como lua!
Nem como estrelas... me torno penumbra
não mais viajo e toda vida é úmbria
debruada em minha solidão crua...

E ao me iludir e se ter afagada
mi'alma se fez canil, assim tão só
e até meu fim... até que eu vire pó
levar-te-ei, de mim, minha cachorrada...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mais uma dose


Mastigo as doses de morte
e bebo o enfermar de hemoglobinas
aspiro a fotocópia ruim do gen
e deixo para a vida só a sorte
como se a morte não fosse ninguém...

A sorte de viver
na morte, sem sofrer
e morro do correto
o que parece esperto
até, enfim, chegar...

E enquanto não me chega
e não adoeço de minha zoonose,
o que me vive,
e me aconchega
é ter mais uma dose...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Soneto do Amor Amigo


Por toda vez que me senti tão só
por todo seu se estar do dia-a-dia:
ter lhe feito, quisera, sua alegria
de ver-lhe, às poesias, a melhor

De ver o amor que mais apetecia
que era poesia, (e nunca dor)
da amizade, que se houvesse, qual for
que com candor, perfeita, engendraria...

E apetecia porque era tão vero!
Como se fosse, em ser, mais um abrigo
os amigos quais choro em ombro e esmero...

E choro por tê-los, pois lhes bendigo:
- Louvados são aqueles quais venero! -
Que pungem em minh’alma o amor amigo...

sábado, 18 de julho de 2009

Cachorrinhar


É vendaval
dum vai-e-vem que não pára
e se pára, é por entre as taras
de ir-se vindo
e provocar

É ventania
ritmada, parada... ritmada...
constante e inconstante
é cheiro alucinante
e poesia pulmonar.

É fazer arfar
flocos de dormência
adentro aos sensores
de buracos moucos
é respirar, inspirar e expirar
por seu apetite-acorde...
a um inaudível som
deveras louco...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Do curandeiro falecido


E viu tal mundo lindo se formar
onde o talento canta-se em inglês
onde o sentir do mundo - em egra tez -
é grosso de candura e afeiçoar...

Sentiu: todo negrume é muito pouco!
Pois na criança viu que a cura mora
cantando ao mundo su'alma canora
Talvez sonhasse com ideal louco...

Ou não! Talvez se fosse a realidade!
Ou sim... seu pueril conto de fadas;
real, por aspirar vera bondade...

No céu, consonou junto ao lindo sol
foi quando então viu que tudo se acaba
até o mundo vil, com demerol...

domingo, 5 de julho de 2009

Da morte completa do poeta


E quando em pó lembrar como foi seu passado
Quando se foi poeta o tanto de amargura
qual, nas folhas, rasou - e toda sua candura
pensando que foi cura os versos mal amados

E quando inexistir, se ainda houver cesura,
se foi mal feita a cura - assim como o versado;
também o versejado, impuro e malcriado -
que achou que era candor (não era, porventura)...

Não era nem amor! Também não houve sorte...
criou meras sandices, criou pra si a morte
em escolher os motes para seu criar:

Amar o indelinquente - e lhe julgar ainda!
Beber ineloquente a sua vida finda
Morrer inteiramente, sem sequer amar...

sábado, 4 de julho de 2009

Folheando


Vivalmas! Escrevo
lendo-lhes as almas que folheio
com os dedos de poesia

Cada estrofe, uma catarse
que volve brilhos
e salpicos de humor...

Cada letra baila etérea
e se harmoniza
numa frase angelical

Cada vida é um best-seller
Leio-a em simpleza
ainda qu'em esmero
como um enamorado
que lê o céu
tão infindável...

Fico somente alma
e a impressão de cada essência
fica no ar, que inspiro,
ao folhear...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Da pureza inata do poeta



Lê e aprende atentamente! Sim?
Vês o tsunami tão frequente?
Lês o verso fel tão complacente?
És-te a casa, és-te um; sem ser fim...

Menta e vê e sente! Absurdamente...
Quartos já borrados de carmim
trovejando em todos os jardins
aviltando o ser inteiramente

Versa e verte e chora teu candor!
Pinga tuas faces! - tais em bruma -
Cede ao mundo sujo um expiar!

Esparge gotículas de amor!
Fecha tua janela!... e te esfuma!
Defuma o mundo vil com teu amar!...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Bailar-te-me



Danço-te: - Os pés cambaleantes:
seu trejeito é prazer da memória;
passo a passo, meu sorrir d'outrora;
na canção que se toca constante...

E me toca, de fato, oscilante
tal acorde que adentro me chora
e me verte em coréia, embora
perdido é teu passo marcante

E nostálgico, como na infância
onde bailei sereno e amigo
o velado amor que se fez dança!

Qual agora sei-te-me no abrigo
a meu lado, te mento em pujança,
a dançar esta dança comigo...


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Do amor que se passou



Pois quando me chamou pra ser amigo
deixei que enfim pudesse me explicar,
há muito se olvidou, pois já não ligo
percebe esta clareza em meu versar?

Se não, peço desculpa a ti por ora
Saiba, que até mesm'ante a explicação
como talvez pulsasse em mim, outrora
não pulsa mais por ti, meu coração

Então procure abrigo em outro ser
Tenha-me como amigo meramente
Espere outro rapaz lhe apetecer

Pois se já não me esquece facilmente
Saiba: é tudo graças a você
que fez-me eterno em ti, completamente.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Paráfrase em Pessoa


Quis dizer num saino verso
todos os meus ais
eis que não me fui capaz
de, como tal, lê-lo...

E o inverso
foi sentido;
não o escrito com zelo
da razão!
Mas um novo
qual não se pode tangê-lo,
senão com o coração...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Voo espalhado



Doravante!
Adejo-me ao paraíso anil
Espalho meu voo
por sob o sentido da vida!

Um pardal me acompanha e, presente, ri.
Vejo-me implume
e percebo-me haver!

É quando o astro-rei,
de forma vil,
liquefaz a realidade
com seus chifres queimosos!

Despenco,
tornado às minhas quimeras.
Nelas, me cubro de anil
e sou paraíso.

(Imagem de Bianca Muzillo)

sábado, 13 de junho de 2009

Embora de mim...


Se porventura quiser ir agora
deixe à memória, imagens de candura
viagens de brandura qu’em outrora
fazia a aurora incender minha cura
em suas juras de amor que desarvora
e chora, por não ter sido mais pura
e ri de minh’amargura que aflora
por ora, enquanto prendo-me em agrura
que dura tanto!.. Um pranto que deplora...

E decora-me a face com brochura
e fura cada linha dela, embora
o que apavora é uma imagem dura
que apura minha ferida e colabora
a entrar outra senhora - que me acura -
qual minha augura almeja e comemora
e quebranta pra fora da cesura
a armadura que dentro você mora

A tora sem seiva da nora impura
da mãe-cultura que me imbui e colora
de linda vida que agora é alvura
que lhe censura em mim; desincorpora
e então cá fora, traz minha brandura
que a essa altura, lhe esquece por ora
e adora tê-la longe e lhe conjura:
À aviltada clausura;
à seiva que dessora;
a minha andadura
que me faz ir embora
tal qual a desventura
que me impeliu outrora!...

domingo, 7 de junho de 2009

Naufrágio



Ah! Tanto que lubrifiquei minh’alma
Velejei na palma a vida andarilha
Que perdid’em amor, cedeu sua quilha
Descontrolada ao passo que o terror
Que roga, impele, afoga, e tira a calma
Desalma o amor e me naufraga em dor

Ah! Tanta dor que ao futuro me tolhe
Pois inda me desejo o amor que acolhe
Dum rés passado vil, de temporais
que num pingo colheu todos meus ais,
e n’outro me escondeu no meu convés
confesso, é este por ora meu revés

E o barco da vida prossegue mal
De fato, sem amor, porém com paz
Que faz, duma tormenta, evadir ágil
Trincado, pois, audaz, segue-me a Nau
Que tão irreal, se reputa incapaz
De vir à superfície pós naufrágio...
Pois acha-se Nau frágil e se endura
E abissal lembra: é ao-mar que traz a cura!...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Meu Eu Pardal


Deixo-te acompanhares
qual revoada que me apanhares
voando, à Pasárgada nossa
para que voar, também possas

Deixo-te minha vivacidade
qual espalha o sentimento
por sobre esta distante cidade
que se estreita, ao sentir-te num adejar ao vento..

Dou-te o alento
que necessitas
debruo-te, e palpitas
no meu batimento...

Dou-te-me todo
e todo meu engodo;
meu chilro elegante!!
Dou-me, a ti, ao vento
num céu
doravante...

Dou teu sonho de céu
deserdado de tormento...

Simples assim


Assim
em meus lábios
macia, cheirosa e gustada

Assim
em meu nariz
molhada, quente e passada

É ela:
vontade desvairada.

Tarde demais


Quando a manhã grita
em resposta ao espreguiçar,
os olhos fortuitos que a fita
também fita o desejar

O sonho se prolonga
em salpicos de euforia
e sem mais delonga
cobre a alma,
com o véu da alforria.

Em si, toda essência arde.
Num fritar de paz
e de luz, põe-se à tarde...
Tarde demais!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Guerra; Paz

 
A guerra do meu ser então poeta
é ter a paz, senão obra completa
mesmo com verso vil que foi vertido
nos sons rasos do obus então subido
que ao cair na folha explode a verve
e toma o anonimato que não serve
àquela guerra que me foi imbuída
ao ter-me sabido só, um cavaleiro...

Primeiro e bem ferido, pois, melhor
que o vilão que verseja o lisonjeiro
sempre me procurado em toda vida
e ao guerrear por minha paz já tida
bolino a guerra que se faz pior...

E a inspiração se posta por algures
quando em frente à guerra posta o vilão
na estrofe garrida sob abajures
que brilham um emanar; decepção...

É quando o cavaleiro melancólico
bruxuleia incessante sua lira
não há, pois, anonimato que o fira
quando os seus versos saem diabólicos

N'outrem su'obra punge mais e mais
é quando a guerra acaba, e temos paz.