sexta-feira, 2 de junho de 2017

Única Sorte

Nos passos do relógio a sua vida:
caminho circular de nada e morte!
No tique - em cada taque - uma ferida
fechando até abrir-se em novo corte.

A vida é limitada! Não se importe,
nem mesmo pense que, se permitida
toda imortalidade à sua vida
seria, enfim, desgostosa da morte!

Mas estaria, à vida, apaixonada
se procurasse por detrás dos nadas
o tímido carinho que eu lhe dei!

Diria então, a si mesma, quietinha:
"- A única tal sorte que eu tinha
graças a Deus, contigo é que eu gastei!"

sábado, 22 de dezembro de 2012

Peso da Luz

Em meio ao apagão de algumas horas
sinto a presença de um olhar macabro.
Ouço um aiar fremir do candelabro
e um medo me devora.

Começo a mastigá-lo nas entranhas.
Um suor indissolúvel, quente e rude
como um lacrimejar em amiúde
no corpo se amarfanha.

A luz volta tinindo!
Tudo em volta tem cheiro de terror;
abro os olhos tão crente deste horror
que até me esqueço que estive dormindo!

Da luz (a consciência)...
Revivo o pesadelo em cada cada:
Sinto a presença de um olhar de nada,
e toda escuridão é só ausência...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Na Capa do Incapaz

Há nada que me apraz. 
Atrás, atrás, o breu, 
a ausência, o ohm, o eu. 
A capa do incapaz. 

 O tênue da frequência — 
um som que se não faz 
de louco, doudo ou mais: 
é doce ou de indolência. 

Um barulho frequente e destoante 
assoa pelas lutas do incapaz: 
ouve-se uma esperança; ouve-se a paz,
pra logo emudecer no mesmo instante. 

E mudo, dou um tapa 
na traseira do mundo! 
Um som a me aprazer por um segundo 
pra noutro me esconder detrás da capa...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Das Sensações

Descendo a escadaria desta igreja
(pecado é cada dança da cintura)
Olho esta moça pela vista impura
e tudo é tão mais puro que cereja...

E se estremece tudo ou sacoleja
a quem vê nos teus passos tal loucura
é porque a tua dança é esta doçura
que, inconscientemente, se deseja...

É de se apaixonar por uma foto
enquanto dentro à inércia do teu rosto
cismo dentro do cerne um terremoto!

É de se colher cachos de cereja
e tê-las instaladas no meu gosto
enquanto cada sensação deseja...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Da Natureza da Vida

É como noutra vida eu acordasse
e se forçasse a vida a mais sentido.
E se antes, combalido a cada impasse,
não mais eu caminhasse adormecido.

é como se ferido eu golpeasse
a velha face do que hei conhecido
e comovido eu me identificasse
como interface entre a vida e o vivido.

É como se acordasse noutro sonho
e o mesmo se provasse mais risonho
em um misto de medo e de estranheza.

É como se tivessem num duelo
o cosmos e o universo paralelo
entranhados em minha natureza!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Armário

Tenhas um armário. 
Reconstrói o manto de teus almejos. 
Reconstrói o vestido do amor. 
(Reconstrói em ti, tu mesma.) 

Não destruas o outro manto.. 
aquele das decepções, do passado 
e das malévolas emoções. 
Põe este último na gaveta; 
chama-o de experiência aprendida. 

Que seja gigante esse armário! 
De muita experiência e poucas decepções! 
Utiliza-o quando quiseres. 

Mas quando a mim puderes vir, 
venhas desajudada, 
despida!... 

Para que sejamos um só.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Terapeuta

‎‎Sentar na tua conversa aconchegante
como se em terapia, num divã.
Falar do que passou, do que há adiante
e se curar do ontem.. do amanhã.

Deitar no teu silêncio inebriante!
Deixar-se ouvir estrelas da manhã!
Teus olhos: despertar do eterno instante
de todo um sentimento bon-vivant...

E se desconversar, olhar de novo
p'ra transformar-se em mero baba-ovo
da feminilidade que tu exalas!

E ter certeza, se encontrar-se triste
voltar ao aconchego da tua fala
pra ter certeza que A Mulher existe!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Platonismo


É que te quero assim, desbloqueada
ilesa deste cárcere do achismo;
ciente da existência do heroísmo,
dos príncipes, finais felizes, fadas!

Te quero em voz, em riso, e mais: no cheiro!..
chorando ou rindo, triste ou jubilante!
E tanto faz se for num platonismo!
E tanto fez se foi por um instante!

(Pois, de tudo real que é prazenteiro,
só pode ter-se a preço de alma amante.
É que do que é fantástico ao talante
jamais se pode obter pelo dinheiro...)

Dizem do amor platônico inverdades,
chamam dos que assim amam de covardes,
e mal se sabem mortos para o amor!

Por isso, faz-te assim, desbloqueada,
e deixa que te admire no silêncio!
Vem! Dá-me o riso excelso... (se presente)
e à mesma intensidade, dá-me o tenso
e angustiante temor (se, então... ausente!...)

Eu não vou te contar tudo que sinto!
(e se contasse saberei que minto:
pois nada é tão real como cá dentro!)

Talvez, um dia, contarei ao vento
(naqueles dias em que carne é forte).
Talvez em dia algum. Talvez na morte.
Ou, quem sabe, não hei de contar nada!

É que, se descobrires que és amada,
meu coração, que sempre fora intenso,
enquanto te encontravas bloqueada,
pretender-te-ia mais que imaginada
desejar-te-ia mais do que magia
(e, quem diria! Angustiado e hipertenso
por ouvir tua resposta, morreria!!!)


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Resta Um Homem Morto



“De tanta inspiração e tanta vida que os nervos convulsivos inflamava 
E ardia sem conforto... 
O que resta? Uma sombra esvaecida, um triste que sem mãe agonizava... 
Resta um poeta morto!” 

(Álvares de Azevedo) 


De cada toque na alma e de cada
sentimento extremado de poeta
que estoura às vezes...
Eu faço versos que não dizem nada
e tudo dizem, e a tudo completam
meus mil talvezes!...

Ora em dúvida, outrora em mero estalo,
um verso conta o que de mim esqueço
nas entrelinhas
e como eu maldissesse a dor de um calo
a ardência interior que desconheço
se me adivinha

nas ardências, as mais frias e estranhas!
— estas angústias, estas dores, nestas
vísceras novas
que espiritualmente se emaranham —
Que tenho dentro em mim?! A alma funesta,
que um verso prova...

Exaustão

Exausto o dia,
pois que a morte é esta manhã:
as estrelas morrem
e tudo é cor.

Exaustos os meus olhos.
Exausta a minha pele.
Exausta a minha vida.

Eis que descanso,
apenas pra prolongar a noite.

e ganho um sonho
muitíssimo maior
que o Universo...

Do Isolamento

Julgam-me mal quando me julgam isolado:
sou alheio a problemas assim.

Saio pro planeta e um yorkshire late.
Parece esganiçar uma maldade,
feita por algum outro cão
naquela hora
em que, provavelmente,
julgavam-me isolado.

Mais a frente
um copo franze as sobrancelhas.
Aqueles olhos sujos e doridos,
suplicam um banho.
Reclama.
E reclama-reclama,
quando abre-se em cor:

"— Tu me usas como rameira
(trim)
e nem te importas
o tom da minha pele!
(trim-trim)
Importas a ti apenas
meu conteúdo!"
(bla bla bla vítreo)

Julgam-me mal
quando estou isolado,
pois que não sabem
que me isolo de mim mesmo
para que tudo possa viver
numa ordinária e silenciosa paz...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Último Caminho

Assim quero meu último caminho:
(a última mulher que amei na Terra)
em rotas de saudades que se encerram
nos seios que se gozam dum aninho...

Andar de encontro ao Ouro, de ano a ano;
lutar as mil batalhas da canela!
Uma hora descansar nos braços dela;
outrora governá-la soberano...

Galgar, enfim, dos níveis, o mais fausto
desta ampla e extensa escadaria da alma:
subir cada centímetro com calma
e a cada metro agradecer-se exausto!

Atravessar os charcos da discórdia!
E se entalado à areia movediça
da sanha, do egoísmo, da preguiça
ser salvo pelos ramos da concórdia!

Seguir nas chuvas, sombras, sob os sóis!
Seco ou molhado, sujo ou limpo, avante!
Saber que o amor existe a cada instante
que houver crescido adiante girassóis!

E o que me importa o que há de vir depois?
Se nunca nada pode viver fora
do momento presente, o tal do Agora,
senão o sonho de seguir a dois

na estrada virtuosa do carinho?
— que certamente estou! Pois de antemão,
já soube onde calcar meu coração
fazendo de quem amo o meu caminho...

(E assim serenamente é que me vou:
de pés no chão, andar como quem sabe
que o caminho do júbilo só cabe
a quem traz junto ao passo algum amor...)

Da Mortalidade



Nós, jovens, filhos, não ligamos muito para morte, até a conhecermos em nós. Quero dizer, pois, que no momento em que um filho vive a morte de seus pais, este sente, dentro em si, o baque da mortalidade; a realidade do Fim. Entretanto, quando o contrário acontece, os pais, progenitores, sentem findar a imortalidade, outrora viva em suas crias... (e com isso também se angustiam com a realidade do Fim)...


Choram mães, choram filhos, choram todos
no luto então se entregam para sempre!
(Uma saudade aqui, outra outra hora.
Uma saudade agora: sempre viva!)

Sentir do que é mortal e do que não,
só cabe a quem enxerga as entrelinhas:
quando um pai finda (a vida ou morte escreve?)
seu filho finalmente tem a prova

de que é mortal, (assim nos foi escrito
em pedra, num cristal de orvalho, ou rama)
pois cabe à natureza assim, se impor!

Faz clara esta entrelinha, estando ou indo!
E o poder da imortalidade esvai-se
na dor de um pai que viu seu filho morto!

Obeliscos & Ruínas


Do restante, tem-se um monte
(brilho fedo, dor, poeira)
numa tal segunda-feira
ao bocejo do horizonte
uma chuva arruaceira
se instalou.

O Obelisco de planície
deste mundo que era belo,
aos escombros, na imundície
humilhado à superfície
foi perdendo sua importância
só lembrado no chinelo
(revestido de lembrança)
como um ícone amarelo
que findou.

(Dele, só o pó restou.)

São ruínas, nossas vidas,
do restante que se monta
de memórias ressentidas.

Mas ao vir da chuvarada
obeliscos não são nada:
minerais que se desmontam
se tornando pedra pronta
que jogada noutros tetos
faz roubar da nossa glória
toda história dos afetos
dos quais tivemos orgulho!

Obeliscos nas planuras,
importantes pela altura,
importantes pela imagem,
basta chuva, basta a aragem
serem algo mais iradas
revolvendo-se no ar
pra deixá-los em ruínas!

Vidas fracas, pequeninas,
se cuidando de empoar...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Morto!
Morto este blog!
Morto este poeta!
Viva, a poesia...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Velório de Estrela


Exalando um clarão, dos olhos se emancipa
mais uma estrela velha avistada no mundo.
Vai-se, naturalmente, em fração de segundos,
sua história, sua luz; pras últimas dissipa...

Parece tudo em luto: o dia se antecipa
trazendo-nos, sem brilho, um horizonte ao fundo
triste e choroso ao tom dum cinza vagabundo.
(um velório no céu, que tudo participa)...

Como em caixão de morto espalham-se almofadas
aglomeram-se as nuvens: painas que se montam.
— Seria mais um gesto à estrela que se vela?

Um lampejo. Um trovão. Mil nuvens carregadas.
Presto atenção no céu — à chuva que se apronta:
— É, tudo em volta chora e ensaia uma querela...


domingo, 11 de dezembro de 2011

O Natal

Ah! O Natal.
Não o Natal dos jingles;
dos judeus, dos muçulmanos...
Não o Natal do nascimento de Jesus, de Javé,
João, Josias, Josué, Juca;
dos esfomeados, dos fartos, dos fatos,
dos amedrontados perus.

Aliás, sempre odiei peru.

O meu Natal!...
Onde as meias são rogos e qualquer barulho é de intruso...
— única época em que intrusos são bem-vindos.
Onde carrinhos vermelhos viraram sinônimos de azar.
Onde as mentiras fazem realmente bem.

(Ou não:
"— Papai Noel tá pobre este ano, meu filho..."
"— Mas ele nem joga no bicho como você, papai.")


Teve esta vez, nesta rua outrora repleta de crianças, onde um cometa passou em pleno Natal.
Rodopiava pelo céu o júbilo maior daqueles que creem:
o barbudo vermelho, autenticado aos nossos olhos.
Meu irmão, eterno esmagador de sonhos, dissera: “— É só um cometa.”
Mas inda assim, ignorando-o como se ignora um presságio de traição, continuei a viajar junto a outras crianças. Diziam: “é ele!” e tão logo estávamos especulando sobre sonho e realidade; trenós brilhantes e renas...
Uns mostrando o quão sensacionais eram seus brinquedos,
outros invejando os presentes alheios.

Ah! Meu Natal!
Pisca-pisca das lembranças do irreal.
Tem um cheiro de rabanada (e de avó);
um gosto adocicado de infância,
e esta pitada salgada de desilusão:

Ah, meu irmão... se cometas existem
é por este Natal que tudo se revela:
pode ser que não...


Osvaldo Fernandes

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um Único Abraço


Viu-se abraçar o mundo, as nuvens parcas,
o céu e o caminho que seguiste:
viu-se deixar no metro o estado triste,
e seguir doravante — além-comarcas!

E dos caminhos tredos que saíste
dois, que sentes no cerne inda te encharcas:
O amor caçula que deixaste marcas
e o desamor que, após, te bipartiste:

— Ficar ou ir? Não sei! Que mais funciona?
Calmo ou feroz, sentado se questiona
como se questionasse o irrelevante...

— Não sabes?! Abre os braços! Sente o mundo;
e como o amor, conserva-te um segundo;
e como o desamor segue adiante...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Desta Mudez Infinda

Ser, dos homens, o homem mais sincero
aquele que te amou pelo silêncio.
Palavras esvoaçam, as dispenso,
se, dentro em mim, das mesmas prolifero...

Ter, do silêncio, o verdadeiro e intenso
sentimento do qual nunca pondero:
numa mudez mostrar-te do que quero
noutra mudez mostrar-te ao que pertenço...

E se te não pertenço, eis a verdade:
sei mudo revelar sinceridade
mesmo se este silêncio é criticado!

Mas se te pertenci, por que é que minto,
se tudo do que sei, senti e sinto
foi que te amei demais, mesmo calado?...

Porquê, Amigo

Tenho esta necessidade de inexistir;
de cultuar a pequenez:
ser a sombra da sombra; o osso do osso,
pequeno... ínfimo. Micro!

Ser-me-ia insuficiente
o silêncio de um mudo:
quero a garganta invisível.

Quero a palavra alterada
a separação completa do erre, do esse
para que me evitem tachar de instigante
para que me evitem fonemas
para que me evitem.

Amigo, sou monótono,
por um simples porquê:
se me faço inferior,
é pra lhe vasto fazer
cá dentro em mim...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Carolina


Os dias passam lentos, solitários;
E o sol parece ter a mesma idade
Enquanto palpa-a, palpa-me esta tarde
no mesmo mundo... e no mesmo horário...

Faço-a existir mesmo à anonimidade
e existo, enfim, num júbilo diário:
posso lhe ser amigo imaginário;
talvez, e mesmo oculto, uma saudade...

E toda noite quando a densa bruma
desenha-se por toda minha retina
resolvo de encontrá-la, Carolina!

Juntam-se, nos meus olhos, uma a uma,
num show de supernovas, mil estrelas!
E a noite é mais brilhante só por vê-la...

domingo, 18 de setembro de 2011

Da Vaziez Adulta


Toma, à memória, a estrada pueril;
da planta o oxigênio, o verde, o fúcsia.
Faz desejar nuns sonhos de pelúcia
que o ano seja aquele, aquele abril...

Refaze agora todo este percurso:
toma, à memória, a estrada pueril!...
Tal como revolvesses dum funil
traze ao peito de novo aquele urso...

Abraça-o, como sotrancasses tudo:
tivesses sonhos vastos e felpudos
que volitassem para teu agora.

Sente nas mãos esta pelugem fina!
Relembra-te o teu tempo de menina,
e pra adultícia oca volta... e chora...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Recriando


Esfreguei a borracha no sol
até que sobrasse apenas o universo
– um poema que de fato eu escrevia –
Uma a uma, as estrelas foram se vestindo de versos.

Cartão Postal

Era uma vez o homem.
Em sua grandíssima aventura pelo mundo
viu-se espalhado por aí –
em todos os cartões postais
que houvesse dor...

Poeta de Byte

No dia em que acordei com o monitor ligado
e desjejuei de amor platônico
(uma princesa morena e dentuça
do reino das ânsias)
que me recordei:

Entrei em muitas batalhas
– de dificuldade dez –
ao entregar meu coração em papeizinhos.

(– Desista! Papéis são torturados pelas tesouras das bruxas.)

Sabe, nunca faltou tinta!,
e ao menos eu desplatonizava!
Pobre plebeu!

Pelo monitor é mais fácil.
Ela ao vivo é a medusa
Eu ao vivo um penedo,
aliás, monumento,
de um antigo poeta esferográfico.

Conversa Franca

Daqui a três mentiras me suicido
vou ter com Deus uma conversa franca!
Falar da manca
capacidade de falar (sem versos)
e perguntar-lhe sobre o Universo,
da realidade
– esta do Eu, ressequido –
e sobre a tal verdade;
e sobre ser,
ou jamais haver sido...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Vela

A tudo luz, a tudo, esquenta o que há vizinho
e vai pingando a cera, e vai criando a sombra,
revelando também na velha alma da alfombra
um monte esbranquiçado, em que o calor faz ninho...

Como tinta que pinga e adere ao pergaminho
escreve junto a luz revelações que assombram;
fundindo no tapete histórias quando tomba;
escondendo à fumaça um cego ardor daninho...

O fim é seu destino! E ao chegar tal momento
o fogo inexpressivo, ao sopro de algum vento
revela um sofrimento, e morre, e a vela apaga!

E o que se parecia objeto inanimado
Não era! É como fosse espírito turbado
que fumegando amor se derretia em chaga!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Do Que Não Faz Feliz

Eu sou o homem mais feliz da Terra
porque a Terra é mais feliz comigo!
Quisera há muito tempo ter sabido
por um amigo,
por tudo onde erra
ou por outro qualquer!

Eu sou o homem mais feliz da Terra
esmaecido
se triste é uma mulher...

sábado, 23 de julho de 2011

A Graça

A graça é como um arco–íris vítreo:
beleza de mil cores que se encima
dos impudentes como fosse um ímã
de pólo triplo.

Vai resvalando as cores como um vício
inventado à visão por puro tédio
diz-se melhor pros olhos que remédio,
mas é suplício!

Se a graça é este arco-íris fantasista,
e as sensações, as mil cores que brilham
só resta-me esquecer destas estilhas
presas na vista...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Mais Verdadeiro Canto

Dos cantos cultuados no meu peito
Quer na inflação, quer na taquicardia
Por trás dos meus poemas foste um dia
sem votação, de afã, o único eleito!

O que tivera um verso carnifeito
Do mágico animal que desvaria
escondido na ação do meu dia-a-dia
que, só, se diz e faz por satisfeito...

Da musa soçobrada na saliva
Impetuosa, vil, viscosa e clara
foi canto verdadeiro que me ampara:

uma obra de fabulação sativa;
essência impressa e expressa, pois, mais viva
que só com poesia se compara...